Pantera Negra BlogPara alguns leitores a editora Marvel começou em 1961, com a publicação da edição número 1 do Quarteto Fantástico, ledo engano, a editora foi fundada por Martin Goodman com o nome de Timely em 1939, sendo posteriormente alterada para Atlas e por fim nos anos de 1960 recebeu o nome ao qual ficou mais conhecida, Marvel Comics.

Seus personagens tinham diferenças substanciais da concorrente, DC Comics, entre a mais comum, se assim podemos colocar, uma aproximação com a realidade dos seus leitores. Superman (1938) e Batman (1939), para citar os mais conhecidos, eram personagens perfeitos, homens bem-sucedidos financeiramente em seus alter ego, com o passar dos anos ganharam tons de cinza ou mesmo de escuridão. Os personagens da Marvel, vinham com defeitos e virtudes mais relacionados a de seus leitores, ou seja, sempre tiveram um ponto de imperfeição.

O Quarteto Fantástico (1961), além das lutas contra vilões de extremo poder, ainda precisa se ajustar como qualquer família, onde o jovem rebelde e esquentado, o amigo rejeitado pela sociedade devido a sua imagem, a esposa com dupla ou tripla jornada (heroína, esposa e mãe) e o cientista, muitas vezes recluso em suas pesquisas. Homem-Aranha ganhou o carinho dos jovens leitores por vários motivos, entre os quais podemos citar: ser adolescente, pois seus antecessores eram sempre o ajudante do herói; morar com a tia; ter problemas financeiros e precisar trabalhar; está cursado o ensino médio, posteriormente o personagem entraria na faculdade, isso sem falar nos problemas sentimentais. Os X-Men lutam contra o racismo e rejeição social. Aqui temos apenas alguns dos personagens, poderíamos continuar a lista-los, mas este são é nosso intento no momento. Partimos para abordar o personagem que chegou com um filme solo no mês de fevereiro de 2018.

O filme Agosto Negro, Black August no original, de 2007, relata a luta dentro do presídio do ativista George Lester Jackson, interpretado por Gary Dourdan. Em um determinado momento, ao conversar com a advogada e com o editor que publicaria seu livro, Jackson pede um cigarro e tira o feltro, afirmando que não tem medo de morrer de câncer, pois já tinha nascido com um. Ser negro nos Estados Unidos durante muitos anos não foi algo agradável, muito ao contrário, eram vistos como os excluídos, pior que ser negro, para a sociedade seria ser indígena.

O personagem T’Challa, apareceu na revista Fantastic Four #52/53, junho e julho de 1963 como um ajudante para o grupo solucionar uma de suas aventuras. O personagem foi sendo colocados em outras aventuras de outros personagens, chegando a ser integrado aos Vingadores em 1968. Apenas em 1973 ganhou sua própria revista. Mas então, qual seria o problema deste personagem, assim, como todos da editora teriam seus problemas?

Líder de uma nação africana rica em um mineral raro, o jovem T’Challa é colocado a ocupar de rei em sua nação ficcional no interior da África, seu problema é ter de dividir sua condição de herói dentro de um supergrupo e cuidar de seu povo. Talvez para alguns leitores esta condição não lhe faça muita diferença, mas podemos colocar a condição de outra forma, pense em um jovem que deixa a família e tem de se mudar para outro país, longe dos seus pares. Um povo que não o vê como um rei, mas sim como mais um na multidão, que não reconhece sua nação com sua riqueza cultural, mas sim como um reservatório de um mineral raro que pode ser explorado por empresas capitalistas. As dúvidas deste jovem vão se avançando, até deixar as terras estrangeiras e retornar a sua condição de rei, podendo ajudar em alguma aventura dos Vingadores.

Muitos jovens sofrem o mesmo drama, quando abandonam suas terras e partem para enfrentar outro país e assim ganhar uma nova condição. Enfrentar os problemas de cultura e estar longe dos seus. Ao olhar para este T’Challa, não esqueça de analisar um conceito que poucos abordam, a condição do estrangeiro.

Por Edson Wilson

 
 

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